Nuno Moreira (vogal do Conselho de Administração da CP) assina um esclarecimento intitulado "Linha do Oeste - a realidade" (na "Gazeta das Caldas") do qual é relevante retirar o seguinte excerto, que se refere às contas da Linha do Oeste:
"(...) O custo de produção do serviço ferroviário de passageiros na linha do Oeste é da ordem dos 7,5€ por quilómetro, custo que inclui apenas os custos directos de material, energia, maquinistas e revisores, e da taxa de utilização da infra-estrutura paga à Refer (não inclui custos de estrutura). Por outro lado a receita por passageiro do serviço regional é da ordem dos 0,07€ por quilómetro. Em resumo, para garantir a cobertura dos custos directos do serviço seria necessária uma ocupação média ao longo do percurso do comboio superior a 100 passageiros. Actualmente, com uma procura média de 50 passageiros por comboio, a que corresponde uma ocupação média de 20 passageiros ao longo de todo o percurso, seria necessário quintuplicar a procura ou a tarifa, ou reduzir os custos para um quinto do valor actual. Mesmo conjugando os três factores em simultâneo para não cair em valores absurdos, chegaríamos a uma situação incoerente de aplicar um forte aumento do tarifário e, em simultâneo, obter um aumento significativo da procura.Seja qual for a solução que venha a ser apresentada, mesmo com uma redução significativa dos comboios como refere o estudo, muito dificilmente se obterá a sustentabilidade económica do serviço. Qualquer outra empresa recusará a realização de um serviço que dá prejuízo, sem a garantia de uma comparticipação que lhe garanta o cumprimento das suas obrigações com os salários dos trabalhadores, pagamento a fornecedores à segurança social e ao estado (...)"
A "batalha" pacóvia pela Linha do Oeste esbarra nestes números. Já não há dinheiro para luxos...
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domingo, 12 de fevereiro de 2012
As contas da Linha do Oeste
domingo, 30 de outubro de 2011
Linha do Oeste: enterre-se o cadáver e canalizem-se as energias para coisas agora mais importantes
A Linha do Oeste começou a morrer há vários anos quando Cavaco Silva, como primeiro-ministro, preferiu a expansão das auto-estradas à consolidação e desenvolvimento das vias férreas. Outros também o fizeram.
Nessa altura como agora, só há uma explicação para isso: Cavaco Silva, como Guterres e Sócrates, percebeu que compensava politicamente beneficiar as grandes empresas de obras públicas com empreendimentos faraónicos, garantindo o apoio dos grandes interesses económicos. Até poderia ter sido acertado, tendo em atenção a criação de empregos que isso também possibilita.
E talvez não viesse daí mal ao mundo se, ao mesmo tempo, se investisse com racionalidade no transporte ferroviário. O que aconteceu, no entanto, foi o desinvestimento e o desinteresse. Num desequilíbrio idiota: o Estado multiplicou empresas, estudos e projectos... e prejuízos. Mas foi deixando morrer as linhas.
A abertura da A8 foi o golpe de misericórdia. Se para a ligação, em pequenos percursos, entre as localidades secundárias e Caldas da Rainha, a Linha do Oeste é útil, a ligação de "longo curso" com Lisboa e com o resto do País através da A8 tornou-a inútil.
Ninguém - a não ser que tenha muito tempo e predilecções especiais por comboios - preferirá, por exemplo, uma ligação lenta e desconfortável de duas horas entre Caldas da Rainha e uma estação secundaríssima (que não foi concebida como tal) nos arredores de Lisboa quando pode, em viatura própria ou nos autocarros expressos, fazer uma viagem de sessenta minutos para o centro de Lisboa através da A8.
Nas circunstâncias actuais, pode ser muito politicamente correcto e simbolicamente gratificante defender a Linha do Oeste e o transporte ferroviário - como, em certa medida, fez a "Gazeta das Caldas" num "dossier" bem feito - mas conviria que se percebesse que dificilmente o Governo e essas estruturas dirigidas por gestores milionários perdulários vão salvar o transporte ferroviário onde ele já passou a cadáver.
É mais proveitoso e mais vantajoso defender outras coisas - a limpeza público do concelho, na cidade e no interior, o bom funcionamento dos serviços públicos ou o investimento racional no que pode desenvolver turisticamente a região - do que perder tempo com quimeras. E, já agora, defender a responsabilização dos gestores que deitaram tudo a perder e que andaram estes anos todos a esbanjar o dinheiro que não era deles e que agora temos de pagar. E com juros.
Nessa altura como agora, só há uma explicação para isso: Cavaco Silva, como Guterres e Sócrates, percebeu que compensava politicamente beneficiar as grandes empresas de obras públicas com empreendimentos faraónicos, garantindo o apoio dos grandes interesses económicos. Até poderia ter sido acertado, tendo em atenção a criação de empregos que isso também possibilita.
E talvez não viesse daí mal ao mundo se, ao mesmo tempo, se investisse com racionalidade no transporte ferroviário. O que aconteceu, no entanto, foi o desinvestimento e o desinteresse. Num desequilíbrio idiota: o Estado multiplicou empresas, estudos e projectos... e prejuízos. Mas foi deixando morrer as linhas.
A abertura da A8 foi o golpe de misericórdia. Se para a ligação, em pequenos percursos, entre as localidades secundárias e Caldas da Rainha, a Linha do Oeste é útil, a ligação de "longo curso" com Lisboa e com o resto do País através da A8 tornou-a inútil.
Ninguém - a não ser que tenha muito tempo e predilecções especiais por comboios - preferirá, por exemplo, uma ligação lenta e desconfortável de duas horas entre Caldas da Rainha e uma estação secundaríssima (que não foi concebida como tal) nos arredores de Lisboa quando pode, em viatura própria ou nos autocarros expressos, fazer uma viagem de sessenta minutos para o centro de Lisboa através da A8.
Nas circunstâncias actuais, pode ser muito politicamente correcto e simbolicamente gratificante defender a Linha do Oeste e o transporte ferroviário - como, em certa medida, fez a "Gazeta das Caldas" num "dossier" bem feito - mas conviria que se percebesse que dificilmente o Governo e essas estruturas dirigidas por gestores milionários perdulários vão salvar o transporte ferroviário onde ele já passou a cadáver.
É mais proveitoso e mais vantajoso defender outras coisas - a limpeza público do concelho, na cidade e no interior, o bom funcionamento dos serviços públicos ou o investimento racional no que pode desenvolver turisticamente a região - do que perder tempo com quimeras. E, já agora, defender a responsabilização dos gestores que deitaram tudo a perder e que andaram estes anos todos a esbanjar o dinheiro que não era deles e que agora temos de pagar. E com juros.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Adeus, Linha do Oeste...
Segundo o bem informado Carlos Cipriano (que conta a história aqui), um documento proposto pelo anterior governo, feito à revelia da Refer para ganhar as boas graças da Troika, propõe o encerramento de 800 quilómetros de via férrea, deixando a rede ferroviária circunscrita basicamente aos eixos Braga-Faro, Beira Alta e Beira Baixa. A Linha do Oeste, que lá vai estrebuchando, também iria na voragem.
Vale a pena recordar, apesar de tudo, que a via férrea poderia ser uma alternativa menos cara às auto-estradas e que o é, em muitos países mais desenvolvidos do que Portugal, e deixar uma sugestão às populações e aos autarcas das cidades mais afectadas: mexam-se... antes que seja tarde.
Vale a pena recordar, apesar de tudo, que a via férrea poderia ser uma alternativa menos cara às auto-estradas e que o é, em muitos países mais desenvolvidos do que Portugal, e deixar uma sugestão às populações e aos autarcas das cidades mais afectadas: mexam-se... antes que seja tarde.
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caminhos de ferro,
política nacional
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