sábado, 13 de agosto de 2011

Acham isto bonito?

(© O das Caldas)
Parece que esta draga, "plantada" há meses entre a Lagoa de Óbidos e a Foz do Arelho, está à espera do início das dragagens. Das tais que esperam, há um ano (ou quase), pelo despacho governamental. Parece ter sido lá posta por quem esperava ganhar o concurso internacional. Ou por quem foi informado de que ganharia o concurso. Mas as dragagens não avançam - alguma vez avançarão? - e a draga mantém-se. Parece um destroço abandonado, a desfear ainda mais uma paisagem de que já ninguém quer saber, estranhamente tolerada pelos poderes públicos locais.
É triste. E é uma vergonha.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O problema das Tasquinhas

Ao presidente da Câmara (como aqui assinalámos) fugiu a boca para a verdade e basta ver as edições desta semana do "Jornal das Caldas" e da "Gazeta das Caldas" para o perceber: o certame da Expoeste (que ainda mantém a designação de Expotur) não é mais do que as Tasquinhas (para utilizarmos a designação da primeira página da "Gazeta") e, nessa medida, não é muito mais do que um "mega-restaurante".
À partida, isso não é negativo. Os vários espaços têm, regra geral, coisas interessantes para comer, os preços são razoáveis e o serviço, esforçado, até se aproxima, e em alguns casos suplanta-os, dos padrões da indústria de restauração.
Só é pena, infelizmente, que o sistema de ventilação funcione tão mal que se acumulem os cheiros e que baste estar trinta minutos no local para ficar com as roupas a cheirar a fritos. E isso basta para que eu, que fui às Tasquinhas por três vezes no ano passado, não tencione lá voltar este ano. (É possível que o chefe do Turismo do Oeste goste do cheiro a fritos nas roupas mas eu não gosto.)
Não pode, no entanto, falar-se em "especialidades" gastronómicas. O que existe nos vários espaços não é muito diferente do que se encontra por aí, são poucos os pratos específicos das várias associações ou das suas cozinheiras e não há nenhuma verdadeira especialidade que possa ser apreciada individualmente ou, como agora ridiculamente se diz, degustada.
Como "mega-restaurante", e com a ressalva da ventilação, estaremos todos, mais ou menos, satisfeitos com as Tasquinhas.
Mas o certame da Expoeste não pode ser só isso. Ou, então, que o seja em plena coerência.
Falta-lhe, como aliás já assinalámos, o resto: artesanato, comércio e indústria (onde está a emblemática Fábrica Bordallo Pinheiro?), doces, vinho, fruta, actividades associativas, exemplos de animação cultural... ou seja, tudo o resto que faz parte da identidade própria de um concelho e/ou de uma região. Onde está o retrato exacto das freguesias (num caso reduzida a fotografias ampliadas, sem interesse nenhum)?
Além disso, a oferta não pode ser só visual, tipo montra. Há que encontrar produtos, sejam eles quais forem, que os visitantes possam comprar, do artesanato ao vinho, passando pela doçaria. E, acreditem os organizadores, há sempre quem compre. Não seria isso proveitoso para os produtores?
Aliás, por comparação com os anos anteriores, nota-se um empobrecimento na qualidade e na quantidade dos expositores.
Aparentemente, optou-se pelo mais fácil. Ou pelo mais barato. E isso chega para os jornais e para as luminárias que acreditam que o turismo que dá dinheiro à região são os empreendimentos faraónicos (onde está, na Expoeste, a previsão dos projectos turísticos que irão "enriquecer" o concelho?) e um "mega-restaurante" para a confraternização dos residentes do concelho e dos seus familiares.
O turismo - que é a única indústria de jeito que o nosso país tem, à mão, para desenvolver - não passa por aqui. E, se calhar, até foge... com o cheiro a fritos.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A coisa está preta para a Festa Branca que afinal foi castanha...

Há um ano, ficávamos todos a saber (como aqui contei) que a chiquérrima Festa Branca tinha ficado castanha com a abundância de excrementos e de urina deixados no local. A "pegada" deixada por esta animação do "jet set" local, o alheamento da generalidade da população perante a concentração de "tias" e "tios" e de personalidades locais ansiosas de se mostrarem e a crise não parecem ter sido factores suficientes para, pelo menos, o vereador Hugo Oliveira pensar melhor no assunto. E, segundo já conta o "Jornal das Caldas" (sem link), já andam outra vez, num processo bastante embrulhado, a querer repetir a asneira do ano passado. Bom proveito lhes faça...

Campeonato de coisas sem sentido nas Tasquinhas

Diz-nos, cheio de pias intenções, o "Jornal das Caldas" num texto apoteótico, que o extraordinário António Carneiro, "do Turismo do Oeste", acha que as Tasquinhas são "um reencontro com aquilo que é tradicional da região e do país" e que "este momento de animação é um aumento de satisfação dos nossos turistas". A competir com esta tão criativa figura num campeonato de coisas que fazem pouco sentido, o presidente da Câmara achou por bem opinar que as Tasquinhas não são um "mega-restaurante" (é interessante como se lembrou desta designação...) mas "um festival gastronómico, cultural e etnográfico".
O mesmo especialista em turismo também disse, talvez em jeito de confissão, que "come-se qualquer coisa, bebe-se um copo e conversa-se". Pois, talvez ele o seu companheiro do "mega-restaurante" devessem comer mais do que "qualquer coisa" para aconchegar o estômago...
Voltaremos ao assunto.

Luxo socialista

Convém recordar, porque também foi por causa de coisas destas que chegámos ao estado a que chegámos:
"O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, recebeu uma herança pesada, mas de luxo do anterior executivo: 19 carros que custam mensalmente aos cofres do Estado 20 mil euros. Entre as máquinas estão Audi, BMW e Mercedes, usadas pelos governantes e altos cargos dos ministérios das Obras Públicas e da Economia, durante a liderança PS. (...) No topo dos gastos está um Audi A6 encomendado pelo então secretário de Estado da Energia, Carlos Zorrinho, que tem uma renda mensal de 2299 euros, em regime de aluguer operacional de veículo (AOV). O carro, encomendado em Março, ainda nem chegou às portas do ministério mas o contrato, blindado, sim: são 95 mil euros nos próximos três anos que, dado os termos do acordo, o actual Executivo nada pode fazer a não ser pagar." (Noticia completa no "Correio da Manhã".)

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

"EdNatura": um projecto falhado que é um bom exemplo para o Plano de Pormenor da Estrada Atlântica

Em 2009 foi conhecido o projecto "EdNatura", desenvolvido por um empresário português desde 2007, que visava a criação de três "resorts" naturistas em Portugal no valor total de 15 milhões de euros, situados no Algarve, na costa alentejana e na Região Oeste (primeiro na praia do Salgado e depois entre a Nazaré e São Pedro de Moel). Há uma notícia aqui, em Setembro de 2009, e, datado de há poucos dias, encontra-se um ponto de situação aqui.
O turismo é, talvez, a principal indústria de que o país, todo ele, pode retirar receitas a curto prazo, há zonas inexploradas (e a Região Oeste é uma delas) e o turismo naturista pode constituir um nicho de mercado mas o certo é que existe e é possível pensar que os seus praticantes até poderão dispor de maiores recursos (por ser menor a percentagem de adultos com filhos).
Mas o certo é que o projecto "EdNatura" não avançou. Aparentemente, não há investidores.
Tudo isto faz pensar no projecto turístico previsto para o Plano de Pormenor da Estrada Atlântica. Onde o que está em jogo não são 15 milhões de euros mas... 300 milhões.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Melros a salvo

A caça ao melro (que comentei aqui) voltou a ser proibida. É uma boa notícia que se pode ler aqui.

Prazeres celestiais

O blog Heavenly, do médico Vasco Trancoso, é um prazer para a vista e para os ouvidos, mais celestial do que mundano.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Não se queixem todos do mau tempo...

... que eu vi a cidade e o comércio local (nomeadamente os supermercados...) com mais gente do que é habitual nos dias em que o mau tempo afastou os veraneantes da praia. E hoje, que voltou o sol, já se circula melhor e os supermercados têm menos gente.

Caravanas

Estão por todo o lado, ocupando espaços destinados ao estacionamento ocasional, dando origem a pequenos parques de campismo informais, parando onde querem sem receberem as atenções que as autoridades tanto gostam de dispensar aos outros, sem pagarem um cêntimo que seja pela irregular ocupação do espaço público.
É certo que não deixam muito lixo mas os despejos não os levam consigo, que não provocam distúrbios, que não ficam muito tempo.
Mas é, para todos os efeitos, uma ocupação do espaço que é de todos absolutamente irregular, de uma forma perfeitamente selvagem e, apesar das normas vigentes, completamente impune.
O que foi escrito por Mário João Carvalho na "Gazeta das Caldas" (a que aqui me referi), a propósito do incêndio dos bares na Foz do Arelho, aplica-se a esta situação. Que, de certa forma, se agravou desde o incêndio: o visual da Lagoa de Óbidos ficou ainda mais sombrio, aliando-se à sua degradação e ao assoreamento o espectáculo triste dos destroços carbonizados e das caravanas aí pousadas.

sábado, 6 de agosto de 2011

Tasquinhas na Expoeste: muita parra, pouca uva

© O das Caldas
O dinamismo de que Fernando Costa, o presidente da Câmara, ainda vai dando provas (aqui numa animada partida de ping-pong ontem à noite na Expoeste) não encontra correspondência na ausência de dinamismo revelada em mais uma edição do certame Exportur - Festa de Verão, que ontem começou.
O que pudesse haver de apresentação de artesanato, de mostra das particularidades do concelho, das suas potencialides turísticas, de locais onde se pudessem comprar alguns recordações, peças de artesanato, produtos alimentares, doçaria e vinho, está reduzido a um amontoado de "stands" esforçados mas quase todos desinteressantes e a um enorme espaço de restauração sem ventilação adequada, onde se juntam iniciativas culinárias de colectividades e outras associações, algumas delas interessantes e com certo grau de profissionalismo.
O concelho ganharia com duas coisas diferentes e montadas com melhor critério: uma exposição dinâmica (com venda) da produção regional, que mostrasse todas as potencialidades e capacidades do que aqui se faz, e uma feira gastronómica com as tasquinhas e outras iniciativas do mesmo género.
O que existe, debaixo de um ambiente opressivo e quente que deixa a roupa a cheirar a fritos em menos de meia hora de permanência, serve para confortar os estômagos e as contas das colectividades. Mas de pouco serve para o turismo.
É possível fazer melhor.

Uma reflexão essencial sobre o incêndio da Foz do Arelho

No rescaldo do incêndio que destruiu os sete bares das "mini-docas" da Foz do Arelho, há um artigo de opinião publicado nesta edição da "Gazeta das Caldas" ("Quando o fogo tudo levou…", na íntegra aqui) que é uma reflexão essencial sobre o assunto.
Da autoria de Mário João Carvalho, mestre em Gestão Estratégica e Desenvolvimento do Turismo e doutorado em Marketing e Comércio Internacional, analisa bem a situação que existia nessa zona da Lagoa de Óbidos e tira algumas conclusões relativamente ao que deve ser feito para a "requalificação" da Lagoa e da Foz do Arelho.
Aparentemente, o incêncio vai levar a que a projectada "requalificação" comece por esse mesmo local. Quem vai dirigir e orientar a "requalificação" devia ler (três vezes, para perceber bem) o artigo de Mário João Carvalho.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Rafeiros imbecis e burgessos de duas patas em Salir do Porto

Mesmo com prejuízo de quem leva o cão a passear de trela à aprazível praia de água pouco limpa de Salir do Porto, sugere-se que a Polícia Marítima saia do seu remanso para ir controlar o cumprimento da placa de proibição de cães na praia, castigando assim os imbecis burgessos de meia idade de duas patas que largam os seus cães soltos no local, depositando a respectiva caca na areia, incomodando banhistas e outros passeantes e assustando crianças.

Desgraças, desgraças, desgraças

Para variar, o "Jornal das Caldas" (mas por agora apenas a edição impressa) tem bastante que ler: pormenores sobre o incêndio dos bares da Foz do Arelho ("impuseram-nos um projecto que tínhamos de seguir à risca. Obrigaram-nos a fazermos tudo pegado e em madeira...", diz a proprietária de um dos bares); a história de um funcionário da Câmara, a morrer de cancro, que dormiu ano e meio nas Piscinas Municipais; um desempregado com 63 anos (ex-combatente na guerra colonial, tratado com o desprezo com que todos os ex-combatentes foram miseravelmente tratados pelo Estado socialista) que vive numa carrinha na Foz do Arelho e a quem uma técnica da Segurança Social de Leiria disse que não precisava de ajuda "porque ainda não cheirava mal".
É um retrato das próprias misérias do País, ensombrado por um dia escuro. Que tristeza!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

E o Foz Bus?

Ainda existe ou foi "engolido" pela crise, sem que a Câmara tenha imaginado uma alternativa racional?

O fogo na Foz do Arelho on line

O incêndio dos bares da Foz do Arelho, na madrugada de domingo para segunda-feira, chegou ao "Mais Oeste" numa impressão inicial e aí ficou. Na "Gazeta das Caldas" está uma notícia um pouco mais desenvolvida com fotografia própria. O "Jornal das Caldas" teve falta de comparência.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A EDP e o incêndio na Foz do Arelho

E se a causa foi alguma das perturbações (apagões, mini-apagões, curtos-circuitos, sobrecargas de corrente...) que caracterizam o péssimo serviço da EDP?...

E agora, o que tem a Câmara a dizer sobre o incêndio na Foz do Arelho?


(Foto: Carla Pereira/Global Imagens, via JN)
Perante isto, deverá dizer-se que a zona era um "barril de pólvora" ou que foi mesmo fogo posto, ou que o fogo posto foi facilitado pela proximidade das pequenas construções. E censurar as entidades públicas, nomeadamente a Câmara e a Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Tejo, proprietária dos quiosques, que fecharam os olhos à manutenção de uma situação que já devia ter sido resolvida há muito tempo. Agora, depois do desastre, que dirá (e fará) a Câmara? E essa entidade sem rosto que é a ARH?

(Foto: Mário Caldeira/Lusa, via Expresso) 


E voltamos ao reino das trevas da EDP

Agora são mini-apagões, de vez em quando. Já houve alguns meses em que e a electricidade não faltou, no entanto.
Será para os potenciais compradores da empresa baixarem o preço ao verificarem que uma empresa tão elogiada continua a ser incapaz de assegurar a um país tão pequeno um fornecimento de electricidade sem interrupções?...

Eu sei que é chato dizê-lo...

... mas o certo é que os pesados aumentos nos preços dos transportes colectivos das grandes cidades deverão contribuir para que esses transportes públicos deixem de ser indirectamente pagos pelos habitantes do interior do país, que nem sequer transportes públicos têm à sua disposição e que andam, há anos demais, a subsidiar as viagens dos seus afortunados compatriotas.